sábado, 1 de abril de 2017

Que eu não perca agora o fio da meada.
Naquele dia que tu acordasse e me dissesse sorrindo que a vida por si só era motivo de risada.
Eu não tava rindo muito na época e pensei que tu era um louco, um jovenzinho.
"Quem já se viu? Seis horas da manhã e a pessoa vem me dizer uma coisa dessas. Quando eu nem sei ainda se vale à pena levantar da cama hoje."
Eu era entre afagos e espinhos, dores e danças, cansaço e fé.
Mas de uma forma ou de outra a gente vai aprendendo a rebolar na corda bamba que é essa vida morna, vai aprendendo a sorrir nem que seja pra contar o quanto de ruga a gente já leva no rosto.

***





domingo, 19 de março de 2017

Que saudade de tu me desarrumando
perturbando meu sono
pra me desalinhar.
Que falta faz o teu olhar cabreiro
e a tua mão manhosa
vindo me espertar.
Fazia tempo que isso não me dava,
o tempo passava
e eu me acostumei.
Mas essa noite por sentir saudade
sofro de vontade
de tu que eu gostei.

Aproveitava a tua pele preta

o cheiro pós lida
e o que fazia de mim.
E na rodia em curvas do teu braço
que pro meu estrago
foi o estopim.
Se tu soubesse desse desmantelo
no meu tornozelo
tu vinha morar.
Vinha ligeiro ante o sol nascente
com teu suor quente
toda me regar. ***

sexta-feira, 3 de março de 2017

Zói

Qual pior desafio que poderiam me fazer?
Certamente seria ter que escolher,
entre os meus olhos e os teus, um par pra perder.

Se sem meus olhos eu não poderia enxergar
toda a beleza que mora em teu ser
Esse é de longe o maior castigo
pra um homem que não pode ver.

Já sem os teus de tudo eu veria
menos o teu olhar tão bonito
se é assim o tudo vira nada
em questão de um segundo infinito.

Se é um par, que seja então um de cada.
Ficamos os dois, caolhinhos,
de longe a decisão mais inteligente.
E Cada piscar é uma piscadela
da gente se paquerando pra sempre.

***




segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Letícia


Um caos humano
perdido no caos urbano
que tem sido essa cidade.
Em maus lençóis
as mãos a sós
enxugam sua ansiedade.
Dois olhos vãos
sem par, sem chão,
caem em docilidade.
Até que pra alguém
sem um vintém
dá-se em gratuidade.

Já quisera um trocado pra comprar sapatos novos,
até que preferiu andar descalça por toda vida.
E que lindos eram os pés nus de Letícia.

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sábado, 28 de janeiro de 2017

Somos aquela fase de descontentamento.
E embora tenhamos sido o melhor que podíamos ser, não fomos nada além de nossas expectativas, criadas no breu mais são de nossa sanidade.
Eu tinha planos simples pra nós.
Uma tarde no parque, esquecer o feijão no fogo, virar a noite com você gripado.
Mas tem chovido tanto ultimamente, eu nem sei fazer feijão, nem te vejo espirrar.
As vezes penso até em desejar o contrário das coisas, mas como li semana passada 'nem sempre a gente tem essa serenidade', e eu passei a amar e citar e lembrar essa frase demais.
Assim como o 'tem nada não' é ótimo.
Tem nada não.
Quando passar o carnaval eu vou comprar um agbê, talvez fique mais barato.

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Você precisar ver
meu desconforto
quando tu passa
me desconcerto
me desconcentro
perco meu foco
e quando tu olha
meu olho adentro
mas que sufoco
eu me derreto, meu bem
eu choro,
me molho,
eu chovo!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Foi o teu contrapasso pra corrigir meu descompasso.
Entrei em colapso.
E eu pensava
que precisava
de um marcapasso.
E meu pulmão asmático
se concentrava
em respirar fundo.
No nosso giro
uma volta ao mundo
em um segundo.
Eu sem saber
se era dança
ou se era abraço.
Perdi o passo.
Tu desse espaço.
Parei na mágica.
E te ouvi dizer
acabou a música.
Eu não tenho prática.
Me desculpa.

Mas com você

eu dançaria

até o silêncio.


***