sábado, 12 de novembro de 2016

A lua vista daí tem que cor?
Estou vendo ela agora e a última vez que esteve tão linda assim ela brilhava sobre nossas cabeças. Continua brilhando mas não posso mais ver o ponto de luz que dela refletia no teu olho.
Parecia ter se pintado de prata só pra ser luminária do nosso teto-céu,
fazendo a meia luz do nosso quarto-mundo,
quando poeira cósmica caía sobre nós pra ser lençol da nossa cama-chão.
Nós e nossos bilhões de estrelas.
Tudo da gente era simples e também muito grandioso.
Eu olho pra cima e não sei se há algo maior do que a nossa breve eternidade.
Eu não sei se há algum momento perdido no espaço tempo onde eu esteja vendo a lua no teu olho.
Eu não sei se o único registro de que esse momento existiu se dá em pulsos elétricos atravessando meus neurônios.
Eu não sei que cor terá a lua amanhã.
Mas sei a cor que ela tinha quando vi ela no teu olho.
Mas sei que houve um momento na história do universo em que formamos o nosso próprio universo, em que fomos os únicos habitando o universo um do outro.

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