sábado, 20 de agosto de 2016

Sou desse meu grande Nordeste,
de Pernambuco precisamente.
E trago comigo essa gente
que nasceu do melaço da cana
ou colhendo da Mata Branca
no pino do sol ardente.
Meu Maracatu estridente
que pesa uma tonelada,
tal qual uma nobre faca
talhada no ferro quente.
Corte demais potente
que a alma toda transpassa.
Do sertão mais brenhoso
ao mais raso litoral,
da mais seca cerca de palma
ao mais denso canavial.
Fartura essa cultura
de São João e Carnaval.
Faço prosa e poesia
a esse povo sofredor
que no cordel e na canção
faz arte de sua dor,
misturando em verso e rima
a sua vida e clamor.
Mas nutre a esperança
o olhar de cada pessoa.
Quando se vê alegria
na chuva que o céu anuncia,
a água que o povo abençoa.
Rezando pra tanta Maria,
pedindo pra tanto Senhor.
E a chuva mesmo tardia
faz da pele que o sol curtia
a mesma que o sereno molhou.